Com a repercussão das reportagens exibidas pela
Rede Globo e pela RBS TV sobre o Boxe Tailandês e a
participação de crianças em modalidades de
luta violentas, a equipe de reportagem da TV Pampa esteve na ESEF
UFRGS conversando com Tiago Frosi sobre o assunto. Tiago falou
sobre os dias atuais, com a realidade de um mercado de trabalho que
obriga os pais a passarem menos tempo com seus filhos, muitos
buscam nas disciplinas do Budô (Judô e Karate-Do) uma
maneira de dar a seus filhos a vivência do aprendizado de
valores como a disciplina, o respeito, o auto-controle, a
não-violência e o companheirismo.
O professor de artes marciais busca, primeiramente a
formação de bons cidadãos. Este é o
fundamento que acompanha o Karate desde sua origem remota na Ilha
de Okinawa, onde se sabia que a força e o poder traziam
responsabilidade. Nos treinamentos, as crianças participam
de atividades lúdicas, da prática dos fundamentos
(Kihon), dos exercícios rituais ou performances (kata) e da
luta combinada sem contato (Ippon Kumite). Somente a partir dos 14
anos se pratica o Kumite, que é a luta institucionalizada,
onde se usam protetores de pé e tíbia, protetor
genital, luvas e protetor de boca. Jovens até 16 anos
também utilizam protetor de tórax e atletas do sexo
feminino o protetor de seios. Tanto em competições
quanto em treinamentos, a criança nunca participa da pratica
do Kumite antes dos 10 anos. Até os 10 anos, como no
Judô, a aula tem um aspecto muito mais lúdico do que
de treinamento da arte marcial propriamente dito. Crianças
engajadas em turmas que também tem adultos participantes,
tem nestes um contato que ajuda em vários aspectos do
desenvolvimento, inclusive estimulando seu rendimento
atlético e de performance. Mesmo nestas turmas, os
professores costumam separar os grupos na hora da prática do
Kumite, onde as crianças dedicam-se ou à
prática do Ippon Kumite, ou à brincadeiras ou ainda a
observação de seus colegas mais velhos para que no
futuro tenham uma idéia do que fazer quando forem iniciados
na prática do Kumite.
As brincadeiras nas aulas de Karate têm um aspecto
bastante particular. O professor tem o objetivo de fazer as
crianças treinarem sem perceberem isto, ou seja, pensando
que estão apenas brincando. Atividades como, por exemplo, as
brincadeiras de imitar movimentos de animais preparam e condicionam
os corpos dos pequenos às técnicas contidas nos Kata
e nos fundamentos do Karate. Várias outras dão
resistência, força e potência aos alunos,
preparando-os para uma prática mais vigorosa quando adultos.
A importância da prática de uma atividade como o
Judô e o Karate-Do está exatamente na
construção de indivíduos conscientes.
Não estamos preparando lutadores, e sim pessoas de bem que
buscarão conviver em paz com a sociedade, contribuir com
esta e se engajarão em programa de atividade física
durante toda a vida, promovendo sua saúde
integral.